Querida Aimée,
Posso te dizer que tudo anda calmo, estranhamente calmo. A velha não mais bate com a vassoura no teto, nunca mais houve clientes para a vizinha - o que significa dormir traquilamente sem ouvir gritos e gemidos. Só a gente sabe o que é viver aqui...
Tentei pôr o pé para fora, mas tudo que consegui foi abaixar e recolher os jornais de seis dias consecutivos. A casa anda mais bagunçada do que minha cabeça, precisamos de você aqui para dar um jeito.
Digo, eu e o Boris precisamos. Não sei dar banho em gatos, eles já odeiam normalmente. Só você tem jeito para lidar com isso; aliás, o que você não leva jeito?
Com todo amor,
N. Haidee.